terça-feira, 15 de outubro de 2024

Fernão Mendes Pinto, aventureiro e explorador português




 

Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho, por volta do ano de 1510, e morreu em Almada a 8 de julho de 1583. 

Foi contemporâneo de Luís Vaz de Camões (1524-1580).

Ainda pequeno, um seu tio levou-o para Lisboa onde o colocou ao serviço do duque D. Jorge, filho de D. João II durante cerca de cinco anos, dois dos quais como moço de câmara. Este facto poderá comprovar a sua descendência de uma classe social privilegiada.

Em 1537 parte para a Índia, ao encontro dos seus dois irmãos. Um ano mais tarde, durante uma expedição ao Mar Vermelho, participou numa luta naval contra os otomanos e foi feito prisioneiro, foi vendido como escravo a um grego e revendido a um judeu que o levou para Ormuz, no Golfo Pérsico, onde foi resgatado pelos portugueses.

Passou os 21 anos seguintes a viver aventureiramente nas costas da Birmânia, Sião, arquipélago de Sunda, Molucas, China e Japão. 

Numa das suas viagens ao Japão (1554) chegou como noviço da Companhia de Jesus, pois havia entrado para a ordem religiosa após conhecer o padre jesuíta Francisco Xavier (canonizado como São Francisco Xavier). Acabou por se desencantar com a ordem religiosa, abandonando o noviciado e regressando definitivamente a Portugal.

Ao chegar a Portugal, com a ajuda do ex-governador da Índia Francisco Barreto, conseguiu arranjar documentos comprovativos dos sacrifícios realizados pela pátria, que lhe deram direito a uma tença, que nunca recebeu. Desiludido, estabeleceu-se na Quinta de Vale do Rosal, situada em Almada, onde se manteve até à morte em 1583.

As suas aventuras no Oriente são relatadas no livro “Peregrinação”, escrito entre 1570 e 1578 e publicado duas décadas após a sua morte. Talvez seja o diário de viagens mais traduzido e famoso da literatura portuguesa, que não foi publicado em vida devido ao receio que Fernão Mendes Pinto tinha de que as suas críticas aos jesuítas pudessem atrair a ira da Inquisição. 

Os relatos exóticos e as suas previsões quanto à derrocada do Império Português fizeram com que durante muitos anos a sua obra fosse vista como fantasiosa, tanto que o seu nome foi motivo de piada: Fernão, mentes? Minto!

Peregrinação é um dos testemunhos mais simbólicos da diáspora portuguesa nos tempos áureos da expansão do império e fez parte do imaginário coletivo português acerca das conquistas no oriente. Os relatos contidos no livro influenciaram a literatura, o teatro e a música portuguesa, comprovado com o trabalho discográfico de Fausto denominado, “Por Este Rio Acima”, que se inspirou nas viagens relatadas no livro Peregrinação.

Por Este Rio Acima é considerado pela crítica um dos álbuns mais marcantes da música popular portuguesa das últimas décadas. Em 2009, este trabalho foi considerado o 4.º melhor álbum da década de 1980 pela revista Blitz, que recorreu a um grupo de mais de 50 personalidades ligadas ao mundo da música.

Letra do poema que deu origem ao nome do álbum:


Por este rio acima

 

Por este rio acima

Deixando para trás

A côncava funda

Da casa do fumo

Cheguei perto do sonho

Flutuando nas águas

Dos rios dos céus

Escorre o gengibre e o mel

Sedas porcelanas

Pimenta e canela

Recebendo ofertas

De músicas suaves

Em nossas orelhas

leve como o ar

A terra a navegar

Meu bem como eu vou

Por este rio acima

 

Por este rio acima

Os barcos vão pintados

De muitas pinturas

Descrevem varandas

E os cabelos de Inês

Desenham memórias

Ao longo da água

Bosques enfeitiçados

Soutos laranjeiras

Campinas de trigo

Amores repartidos

Afagam as dores

Quando são sentidos

Monstros adormecidos

Na esfera do fogo

Como nasce a paz

Por este rio acima

 

Meu sonho

Quanto eu te quero

Eu nem sei

Eu nem sei

Fica um bocadinho mais

Que eu também

Que eu também

meu bem

 

Por este rio acima

isto que é de uns

Também é de outros

Não é mais nem menos

Nascidos foram todos

Do suor da fêmea

Do calor do macho

Aquilo que uns tratam

Não hão de tratar

Outros de outra coisa

Pois o que vende o fresco

Não vende o salgado

Nem também o seco

Na terra em harmonia

Perfeita e suave

das margens do rio

Por este rio acima

 

Meu sonho

Quanto eu te quero

Eu nem sei

Eu nem sei

Fica um bocadinho mais

Que eu também

Que eu também

meu bem

 

Por este rio acima

Deixando para trás

A côncava funda

Da casa do fumo

Cheguei perto do sonho

Flutuando nas águas

Dos rios dos céus

Escorre o gengibre e o mel

Sedas porcelanas

Pimenta e canela

Recebendo ofertas

De músicas suaves

Em nossas orelhas

leve como o ar

A terra a navegar

Meu bem como eu vou

Por este rio acima

 

 

Referências bibliográficas

Porto Editora – Fernão Mendes Pinto na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-10-15 09:30:12]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$fernao-mendes-pinto

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