Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho, por volta do ano de 1510, e morreu em Almada a 8 de julho de 1583.
Foi contemporâneo de Luís Vaz de Camões (1524-1580).
Ainda pequeno, um seu tio levou-o para Lisboa onde o colocou ao serviço do duque D. Jorge, filho de D. João II durante cerca de cinco anos, dois dos quais como moço de câmara. Este facto poderá comprovar a sua descendência de uma classe social privilegiada.
Em
1537 parte para a Índia, ao encontro dos seus dois irmãos. Um ano mais tarde,
durante uma expedição ao Mar Vermelho, participou numa luta naval contra os
otomanos e foi feito prisioneiro, foi vendido como escravo a um grego e
revendido a um judeu que o levou para Ormuz, no Golfo Pérsico, onde foi
resgatado pelos portugueses.
Passou os 21 anos seguintes a viver aventureiramente nas costas da Birmânia, Sião, arquipélago de Sunda, Molucas, China e Japão.
Numa das
suas viagens ao Japão (1554) chegou como noviço da Companhia de Jesus, pois
havia entrado para a ordem religiosa após conhecer o padre jesuíta Francisco
Xavier (canonizado como São Francisco Xavier). Acabou por se
desencantar com a ordem religiosa, abandonando o noviciado e
regressando definitivamente a Portugal.
Ao
chegar a Portugal, com a ajuda do ex-governador da Índia Francisco Barreto,
conseguiu arranjar documentos comprovativos dos sacrifícios realizados pela
pátria, que lhe deram direito a uma tença, que nunca recebeu. Desiludido, estabeleceu-se
na Quinta de Vale do Rosal, situada em Almada, onde se manteve até à morte em
1583.
As suas aventuras no Oriente são relatadas no livro “Peregrinação”, escrito entre 1570 e 1578 e publicado duas décadas após a sua morte. Talvez seja o diário de viagens mais traduzido e famoso da literatura portuguesa, que não foi publicado em vida devido ao receio que Fernão Mendes Pinto tinha de que as suas críticas aos jesuítas pudessem atrair a ira da Inquisição.
Os relatos exóticos
e as suas previsões quanto à derrocada do Império Português fizeram com que durante
muitos anos a sua obra fosse vista como fantasiosa, tanto que o seu nome foi
motivo de piada: Fernão, mentes? Minto!
Peregrinação
é um dos testemunhos mais simbólicos da diáspora portuguesa nos tempos áureos da
expansão do império e fez parte do imaginário coletivo português acerca das conquistas no oriente. Os relatos contidos no livro influenciaram a literatura, o
teatro e a música portuguesa, comprovado com o trabalho discográfico de Fausto
denominado, “Por Este Rio Acima”, que se inspirou nas viagens relatadas
no livro Peregrinação.
Por Este Rio Acima é considerado pela crítica um dos álbuns mais marcantes da música popular portuguesa das últimas décadas. Em 2009, este trabalho foi considerado o 4.º melhor álbum da década de 1980 pela revista Blitz, que recorreu a um grupo de mais de 50 personalidades ligadas ao mundo da música.
Por
este rio acima
Por
este rio acima
Deixando
para trás
A
côncava funda
Da
casa do fumo
Cheguei
perto do sonho
Flutuando
nas águas
Dos
rios dos céus
Escorre
o gengibre e o mel
Sedas
porcelanas
Pimenta
e canela
Recebendo
ofertas
De
músicas suaves
Em
nossas orelhas
leve
como o ar
A
terra a navegar
Meu
bem como eu vou
Por
este rio acima
Por
este rio acima
Os
barcos vão pintados
De
muitas pinturas
Descrevem
varandas
E os
cabelos de Inês
Desenham
memórias
Ao
longo da água
Bosques
enfeitiçados
Soutos
laranjeiras
Campinas
de trigo
Amores
repartidos
Afagam
as dores
Quando
são sentidos
Monstros
adormecidos
Na
esfera do fogo
Como
nasce a paz
Por
este rio acima
Meu
sonho
Quanto
eu te quero
Eu nem
sei
Eu nem
sei
Fica
um bocadinho mais
Que eu
também
Que eu
também
meu
bem
Por
este rio acima
isto
que é de uns
Também
é de outros
Não é
mais nem menos
Nascidos
foram todos
Do
suor da fêmea
Do
calor do macho
Aquilo
que uns tratam
Não
hão de tratar
Outros
de outra coisa
Pois o
que vende o fresco
Não
vende o salgado
Nem
também o seco
Na
terra em harmonia
Perfeita
e suave
das
margens do rio
Por
este rio acima
Meu
sonho
Quanto
eu te quero
Eu nem
sei
Eu nem
sei
Fica
um bocadinho mais
Que eu
também
Que eu
também
meu
bem
Por
este rio acima
Deixando
para trás
A
côncava funda
Da
casa do fumo
Cheguei
perto do sonho
Flutuando
nas águas
Dos
rios dos céus
Escorre
o gengibre e o mel
Sedas
porcelanas
Pimenta
e canela
Recebendo
ofertas
De
músicas suaves
Em
nossas orelhas
leve
como o ar
A
terra a navegar
Meu
bem como eu vou
Por
este rio acima
Referências
bibliográficas
Porto
Editora – Fernão Mendes Pinto na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora.
[consult. 2024-10-15 09:30:12]. Disponível em
https://www.infopedia.pt/$fernao-mendes-pinto
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