sábado, 30 de maio de 2026

🍃FLIM 2026 – Texto Vencedor🏆

A Biblioteca Escolar tem o enorme prazer de partilhar com toda a comunidade educativa o texto vencedor do FLIM 2026, da autoria da nossa aluna Nurhan Rodríguez, do 1.º TGE:👏✨

"A Pequena Folha"📖

"No alto de um grande carvalho, onde os ramos chegavam quase ao céu, viviam muitas folhas. Tinham nascido pequenas e frágeis, cresceram juntas, conhecendo o mundo através da luz e do vento. Nada lhes faltava. O sol vinha todos os dias, o vento passava e ensinava-as a mover-se, e o carvalho sustentava-as sem esforço. 

Entre elas, havia uma pequena folha robusta, que gostava da segurança do ramo, da proximidade das irmãs, do modo como tudo parecia certo e completo. Quando o vento soprava mais forte, ela agarrava-se com mais firmeza e esperava que passasse.

— Aqui estamos bem! — dizia. — Não precisamos de mais nada.

As outras escutavam, mas não respondiam sempre. Havia nelas uma quietude diferente, como se soubessem se algo que ainda não lhe pudessem dizer.

O verão foi longo, a luz demorava-se nas folhas, e tudo parecia estável. Mas, pouco a pouco, algo começou a mudar — não de forma brusca, mas como um suspiro lento.

O ar tornou-se mais fresco, a luz inclinou-se, e as folhas começaram a transformar-se. As cores mudaram primeiro. Onde antes havia apenas verde, surgiram tons mais quentes, vermelho, amarelo, castanho. Como se cada folha revelasse algo que sempre estivera escondido.

A Pequena Folha observava em silêncio.

— Porque estamos a mudar? — perguntou, por fim.

— Porque o tempo também muda — respondeu uma das irmãs.

Ela não ficou satisfeita. O tempo, pensava, não devia mudar aquilo que estava bem.

Pouco depois, uma folha soltou-se. Não houve aviso. Apenas um instante em que deixou de se agarrar e passou a pertencer ao ar. Desceu devagar, levada pelo vento, sem pressa. A Pequena Folha observou, inquieta.

— Ela caiu — disse.

— Sim — respondeu outra. — E era o momento dela.

— Mas… não tentou ficar.

— Não. — Isso perturbou-a mais do que a queda.

Nos dias seguintes, outras folhas fizeram o mesmo. Uma a uma, soltavam-se com uma leveza que ela não compreendia. Não havia luta, nem pressa. Apenas um movimento natural, como se seguissem algo que não precisava de ser explicado.

— Porque é que não têm medo? — perguntou.

— Temos — disse uma das últimas. — Mas isso não nos impede.

A resposta ficou com ela, mas não a acalmou.

Quando restavam poucas folhas, o silêncio tornou-se maior. O espaço entre elas aumentou, e o vento já não encontrava a mesma resistência. A Pequena Folha começou a sentir-se sozinha.

— Eu não quero cair — disse, desta vez sem esconder o medo. Ninguém a contrariou.  Uma a uma, as últimas folhas partiram. Até que ficou apenas ela.

O carvalho, que até então tinha permanecido silencioso, falou. A sua voz não vinha de um lugar específico. Estava no ramo, no ar, à volta de tudo o que rodeava a Pequena Folha.

— Ainda estás aqui — disse.

— Estou — respondeu a Pequena Folha. — Mas não sei por quanto tempo.

— Sabes — disse o carvalho. — Apenas não queres saber.

A folha tremeu.

— Eu quero ficar.

Houve uma pausa longa.

— Vou contar-te algo — disse o carvalho. — Não como resposta, mas como uma oportunidade de perceber.

A folha escutou.

— Na primavera, quando nasceste, não sabias o que era o vento. Nem o sol. Nem o próprio ramo onde cresceste. E, no entanto, aceitaste. Abriste-te à luz sem a compreender, moveste-te com o vento sem o controlar.

— Agora conheces mais — continuou o carvalho. — E é por isso que hesitas. Pensas que, ao cair, deixas de ser.

— Não deixo? — perguntou ela baixinho.

— Deixas de estar aqui — disse o carvalho. — Mas não deixas de fazer parte. As que caíram antes de ti não desapareceram. Tornaram-se parte de algo maior.

A folha olhou para baixo. Viu o chão coberto de cores. Não era vazio. Era transformação.

— Aceitar— disse o carvalho — não é perder o que és. É permitir que continues de outra forma, superar.

A folha permaneceu em silêncio. Sentia ainda o medo, mas já não era o mesmo. Era mais quieto, como se tivesse espaço para respirar. O vento voltou, e desta vez, não tentou resistir. Sentiu o ponto onde estava presa tornar-se mais leve.  Olhou uma última vez para o céu aberto, para o lugar onde tinha vivido, para aquilo que tinha sido. E compreendeu, não com palavras, mas com uma espécie de calma: tinha havido um tempo para ficar, agora havia um tempo para deixar ir. Soltou-se. Caiu devagar, como as outras. E, enquanto descia, não tentou voltar atrás. Aceitou, e esperou por aquilo que vinha com calma e clareza de espírito." 


Este merecido reconhecimento destaca não só o talento literário da Nurhan, mas também a importância da criatividade, da leitura e da escrita na formação dos nossos alunos!✍️📚🌟

Muitos parabéns à vencedora!🎉👏
Continua a inspirar-nos com a tua imaginação e sensibilidade literária!🌟

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